segunda-feira, 4 de maio de 2015

Mais de 90 superdotados recebem acompanhamento em Macapá

Centro de Altas Habilidades e Superdotados atua há 9 anos no estado.

Centro de Altas Habilidades celebrou 9 anos de atuação no Amapá (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Centro de Altas Habilidades celebrou 9 anos de
atuação no Amapá (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)



Estudantes têm acompanhamento com professores e psicólogos.

Eu ainda me sinto um pouco diferente, mas eu não me abalo porque ser diferente já é normal. Eu nunca aceitei o preconceito das diferenças”, disse o estudante Anderson Gutierrez, de 16 anos. Ele é um dos cerca de 90 alunos com altas habilidades atendidos pelo Centro de Atividades de Altas Habilidades e Superdotados (CAAH-S) do Amapá que é vinculado a Secretaria de Estado da Educação (Seed). A instituição comemorou os 9 anos de atuação no estado nesta sexta-feira (17), no Centro Cultural Franco Amapaense, em Macapá.

Anderson é aluno do 3º ano do ensino médio na Escola Estadual Antônio Messias, no bairro Zerão, na Zona Sul de Macapá. Ele descobriu a alta habilidade para física, química, matemática e inglês quando tinha 8 anos e estava na 6ª série.

“Sempre falaram que ele era muito inteligente. Ele também é agitado e durante o acompanhamento também descobriram que ele pode ter um nível de autismo, mas ainda estamos estudando qual é o grau”, disse a mãe de Anderson, Andrea da Cunha, de 34 anos.

Como está no último ano do ensino médio, Anderson pretende estudar engenharia mecânica ou engenharia da computação em um curso superior.

“Eu sou muito curioso. Vejo uma coisa nova e já quero logo questionar. Por isso penso em me dedicar a minha paixão por carros ou por criar jogos”, comentou o estudante.

Assim como Anderson, o aluno Ruan de Lima, de 12 anos, também tem altas habilidades. Estudante do 7º ano da Escola Estadual Antônio Messias, descobriu em 2014 que tem habilidade na área de robótica e desenhos.

“Eu comecei a descobrir que tenho habilidade para eletrônica e desenhos. Com o tempo fui me aprimorando e acabaram percebendo na escola essa habilidade. Agora vou começar o acompanhamento”, afirmou o estudante.

De acordo com a diretora do CAAH-S, Socorro Torres, o acompanhamento do núcleo é uma atividade que ajuda o estudante a não se se sentir diferente.

É um atendimento gratuito que acaba descobrindo pessoas que tem habilidades na dança, na música, nas ciências, nas línguas, entre outras áreas. Todo adolescente quer ser aceito e é nessa fase que entramos para ajudar”, explicou. O acompanhamento do centro acontece no contraturno da escola com assistente social, professores e psicólogos


Ruan de Lima, ao lado do pai, Raimundo, descobriu habilidades para robótica e desenho (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Ruan de Lima, ao lado do pai, Raimundo,
descobriu habilidades para robótica e desenho
(Foto: Fabiana Figueiredo/G1)


quinta-feira, 30 de abril de 2015

Indisciplina é um dos principais problemas em escolas, diz pesquisa

Extraído do site : http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/03/falta-de-acompanhamento-psicologico-e-maior-problema-na-escola-dizem-professores.html

 

Levantamento da Fundação Lemann ouviu mil profissionais do ensino fundamental em todo o país.


Você sabia que a indisciplina dos alunos é um dos principais problemas que os professores enfrentam em sala de aula? Mais até que os baixos salários? Quem diz isso são os próprios professores, em uma pesquisa inédita com profissionais da rede pública de todo o país.




Uma longa jornada. O Fantástico vai acompanhar o dia da professora de ciências Simone Medeiros, no Rio de Janeiro. Às 6h30 da manhã, ela sai de casa, na Penha, Zona Norte da cidade, para a primeira aula, em uma escola de ensino fundamental, no bairro vizinho de Ramos.


No intervalo, às 9h30, planejamento para as aulas seguintes. O almoço, ao meio-dia, é rápido, na cantina, com os colegas. Às 13, começa o segundo turno.

Às 17h50, o dia de Simone ainda não acabou. Ela vai para uma outra escola, onde vai dar aula no turno da noite. “Estou bastante cansada”, confessa Simone.

A rotina de Simone ajuda a entender os resultados de uma pesquisa inédita sobre o trabalho dos professores da rede pública. O levantamento da Fundação Lemann ouviu mil profissionais do ensino fundamental em todo o país. E revelou o que os nossos mestres consideram como os maiores problemas para melhorar a educação.

Para Simone, a carga horária exaustiva é só uma das dificuldades.

Você tem que largar um pouco o conteúdo para você trabalhar outras questões. Questões afetivas, questões de família, a questão da violência. Você está, às vezes, trabalhando em um ambiente que você está ouvindo tiro”, conta Simone.

A falta de acompanhamento psicológico para os estudantes é apontada como o problema que precisa ser resolvido de forma mais urgente. Em uma noite, a aula da Simone acabou mais cedo porque havia um tiroteio perto da escola.

“É frustrante, né? A gente diminui muito o que a gente ia trabalhar com eles”, diz Simone.

Um dos maiores desafios dos professores é compreender e lidar com a realidade que os alunos enfrentam do lado de fora da escola. Os conflitos e os dramas das comunidades em que eles vivem cruzam os portões e chegam dentro das salas de aula das escolas brasileiras.

“Lógico que saber o conhecimento, saber o conteúdo para passar ele de forma correta, é fundamental. Mas não é só isso. É muito mais. Na hora que a gente chega na sala de aula a gente percebe. A gente não está preparado para esse muito mais”, explica a professora de matemática Rosania Silva.

Rosania tem 12 anos de profissão. Dá aulas de matemática para cinco turmas, em uma escola no bairro Jardim Itapura, Zona Sul de São Paulo.
Ela convive diariamente com o segundo maior problema apontado pelos professores na pesquisa.

Uma das maiores dificuldades que a gente encontra hoje na sala de aula é a indisciplina. De diferentes maneiras que ela pode se manifestar. Para o meio que o aluno vive, não considerando só o ambiente da escola, mas fora dela, aquilo é comum. A gente leva tempo, acaba atrapalhando a aula”, conclui Rosania.

“Quando a gente faz a formação de professores no Brasil, a gente não forma ele para sala de aula. A gente não prepara esse professor para lidar com a indisciplina. Então ele tem que descobrir tudo isso na hora em que está lá, dentro da sala de aula, com 30, 35, 40 alunos, sem preparo”, avalia Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann.

Thioni Carreti tem 26 anos. É professora de ciências há três, em uma escola em Cidade Leonor, também na Zona Sul de São Paulo. E já descobriu que na sala de aula precisa ser mais do que professora.

Thioni Carreti: Quando eu entrei na escola, eu não esperava que eu teria tantos problemas com relação à convivência dos alunos em sala.

Fantástico: Então, você tem que atuar, às vezes, como um conciliadora dentro de sala de aula?

Thioni Carreti: Sim. Uma mediadora de conflitos.
Fantásitco: Isso é muito difícil?

Thioni Carreti: É difícil porque nem sempre você está preparado psicologicamente para lidar com isso.

A diretora da escola onde Thioni trabalha recebe o mesmo retorno de toda a equipe.

“A nossa preocupação é: se eu melhoro as minhas condições dentro da escola e abraço e acolho essas crianças aqui, para que eles se sintam pertencentes dessa sociedade na qual eles estão vivendo, essa criança vai melhorar seu aprendizado”, explica a diretora Sarah Correa da Silva.

Mas, essa tarefa não é fácil. Isso porque o atraso dos alunos para aprender o conteúdo, para os professores, é o terceiro problema que precisa ser enfrentado. Na sequência, vem a aprovação de estudantes que ainda não estão preparados para o próximo ciclo. E, em quinto lugar, os baixos salários.

“O debate sobre professor está tão distorcido, a gente só fala do salário, das más condições de trabalho... Mas, o que motiva esse professor a ser professor? Ele quer garantir que seus alunos aprendam”, avalia Mizne.

Na pesquisa, 72% dos professores afirmaram que a contribuição para o aprendizado dos alunos é o que mais traz satisfação. E 65% se disseram satisfeitos com a responsabilidade social do trabalho que fazem.

Na segunda-feira, a Thioni, a Rosânia, a Simone e milhares de professores começam mais uma semana para cumprir a missão de educar.