segunda-feira, 24 de julho de 2017

CHAPECÓ TEM ENSINO PÚBLICO PARA ALUNOS COM SUPERDOTAÇÃO E ALTAS HABILIDADES


Por Anderson Favero - 13 de julho de 2017 às 06:00150

Cerca de 118 estudantes entre seis e 17 anos potencializam dons naturais através de oficinas em todas as áreas do conhecimento

O estudante Bruno da Silva Alves, de 15 anos, possui alta habilidade para desenhar. No CAPP, ele desenvolve um projeto no qual transforma elementos da tabela periódica em desenhos (Fotos: Anderson Favero/VOZ)

O estudante Bruno da Silva Alves, de 15 anos, possui alta habilidade para desenhar. No CAPP, ele desenvolve um projeto no qual transforma elementos da tabela periódica em desenhos (Fotos: Anderson Favero/VOZ)

A facilidade para desenhar, desde sempre, acompanhou o adolescente Bruno da Silva Alves, de 15 anos. Com o passar do tempo, tanto em casa quanto na escola, a habilidade do garoto, matriculado no primeiro ano do ensino médio, começou a chamar a atenção daqueles que o cercavam. No ano passado, ele participou de uma triagem que percorre as escolas do município e foi admitido para integrar a oficina de artes do Centro Associativo de Atividades Psicofísicas Patrick (CAPP), voltada para crianças e adolescentes com altas habilidades e superdotação.
  
– Indivíduos como o Bruno, que demonstram um potencial elevado associado a um grande poder criativo, acima da média se comparado com outras pessoas, são considerados superdotados e com alta habilidade. Então, para que eles possam desenvolver ainda mais esse potencial, o CAPP, através de triagens nas redes de ensino público e privado, convida-os para participarem de oficinas semanais e aprofundar ainda mais esse talento. Ou seja, nessas oficinas, admitimos aqueles educandos com alto grau de excelência, que seriam, num linguajar mais popular, o topo dos alunos matriculados nas escolas do município – explica a pedagoga e coordenadora do projeto, Roseli Ana Fabrin.

Assim como Bruno, outros 118 alunos na faixa etária dos seis aos 17 anos participam de oficinas para superdotados no CAPP. Eles são divididos em oito áreas diferentes, conforme a habilidade de cada um: oficina de artes, oficina exploratória, oficina de língua portuguesa, oficina de matemática, oficina de robótica, oficina de práticas corporais (esporte), oficina de teatro e oficina de física. Todas gratuitas.

Na manhã de ontem, em uma sala compartilhada com mais cinco colegas, Bruno fazia uma pesquisa para subsidiar o projeto que está desenvolvendo durante este ano na oficina. O estudante, que também é entusiasta da química, está criando uma série de desenhos inspirados nos elementos da tabela periódica – no plano pedagógico elaborado pelo CAPP, todo educando precisa se debruçar sobre um projeto anual.

Mediadores

Os 11 professores que acompanham as oficinas atuam como mediadores desses trabalhos, portanto, não estão ali para ensinar, mas sim para indicar caminhos. Por conta disso, uma vez admitido, o aluno precisa demonstrar autonomia, independência e responsabilidade para dar andamento em sua proposta letiva. Na conclusão do projeto, no final do ano, eles apresentam o trabalho desenvolvido podendo, inclusive, comercializá-los, como é o caso dos alunos da oficina de artes.

– Com a oficina do CAPP estou conseguindo desenvolver ainda mais minha técnica. Aqui, encontro inspiração, foco e suporte para fazer os desenhos que eu gosto. No futuro, penso em trabalhar com isso, já que não me vejo fazendo outra coisa – avalia Bruno que, neste semestre, conta com o apoio da professora Marlene Maria Fabrin para dar andamento em seu projeto.

João Pedro Siqueira, 13 anos, aluno da oitava série, além de ser um exímio tocador de violão e guitarra, tem no desenho seu maior passatempo. Suas produções, compostas por caricaturas e desenhos de caveiras mexicanas, estão sendo produzidas em série durante este ano, na oficina de Arte do CAPP
Triagem

Na busca por alunos com este perfil, a equipe do CAPP, sob a supervisão da coordenadora Roseli, vai até as escolas do município e, com a permissão da direção, aplica um teste nas turmas. Na sequência, esses dados são tabulados. Quando uma avaliação apresenta 51% de competência, o aluno e sua família são convidados para uma entrevista no CAPP para elaboração de um parecer pedagógico. O próximo passo, será submeter o candidato aos testes relacionados à sua habilidade e, diante de um protocolo, é atestada ou não, a superdotação.

Além das escolas, a própria família também pode contatar o CAPP. Estudantes medalhistas no esporte ou em competições nacionais como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e a Olimpíada Brasileira de Física (OBF), também são bem-vindos nas triagens.

– A palavra que estabelece uma divisão entre uma pessoa superdotada e uma “pessoa comum” é excelência. No caso da oficina de artes, por exemplo, recebemos alguns estudantes que elaboram um desenho, não gostam e apagam. Eles repetem isso diversas vezes e quando o fazem não demonstram uma real aptidão para a tarefa. São diferentes daqueles que se dedicam integralmente a essa arte desde sempre e demonstram estar à vontade quando pegam o lápis e o papel na mão. Além disso, para fazer parte das nossas oficinas, em primeiro lugar, é necessário que o aluno tenha interesse, já que o perfil que temos aqui é de educandos independentes. E trabalhar com eles é incrível – esclarece Solange Parizotto, educadora especial que faz parte da equipe que busca esses talentos.

Projeção

Nesse contexto, não é raro que alunos do CAPP sejam projetados para voos maiores. O caso mais recente é de um menino de 13 anos, com alta habilidade para o esporte que, no ano passado, precisou se mudar para Porto Alegre para integrar a equipe do Internacional, onde treina como goleiro.

– No caso deste educando, a família, desde sempre, potencializou o seu talento até que chegou em um ponto no qual ele precisou sair do seu espaço para adentrar em um novo mundo. É importante salientar, também, que aqueles que têm altas habilidades carregam consigo uma grande energia, então, se os pais e escola não souberem focar essa energia, o aluno corre o risco de optar por caminhos tortuosos. Imagina um adolescente com 13 anos, cheio de disposição, tendo apenas nos amigos o mecanismo para potencializar essa energia. O que irá acontecer com ele? Por isso, temos essa preocupação de encaminhá-los às oficinas corretas e dar todo esse suporte – reforça a coordenadora Roseli.

Rede de parcerias

O serviço de atendimento a demanda de superdotação passou a ser conduzido no CAPP há três anos, quando a entidade firmou uma parceria com a Fundação Catarinense de Educação Especial, de São José, litoral do Estado. Desde então, por estar localizado em um espaço pequeno, o CAPP, que também atua com alunos com deficiência intelectual, precisou buscar parceiros para desenvolver as oficinas.

Nesse sentido, as universidades, a Escola de Artes e o Conservatório de Artes Musicais, entre ouros, tem tido papel fundamental. A oficina de robótica, por exemplo, acontece na Unoesc. Nas aulas, os educandos, acompanhados pelo professor, vão até a instituição onde recebem orientação dos profissionais ligados à área.


– Estamos sempre com os olhos voltados a novas parcerias para abrir caminhos para nossos educandos pois entendemos que, se eles conseguirem aliar suas habilidades a uma atividade com a qual se identificam, além da satisfação pessoal, darão uma grande contribuição para a sociedade nas mais diversas áreas do conhecimento. Trata-se de uma população que abrange de 3 a 5% do total de indivíduos e que precisa ser atendida e potencializada da forma correta – conclui a diretora do CAPP, Vera Maria da Rosa.

sábado, 22 de julho de 2017

O Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação de Mato Grosso, Campo Grande, oferece atendimento educacional especializado aos estudantes com altas habilidades

Extraído do site : http://www.acritica.net/noticias/com-atendimento-educacional-especializado-nucleo-da-sed-acompanha-estu/225120/

Núcleo da Secretaria de Educação de Mato Grosso dá assistência a estudantes superdotados

 Aos 16 anos, Douglas pratica inglês, português, alemão, polonês e russo, além de já ter estudado um pouco de latim
Aos 16 anos, Douglas pratica inglês, português, alemão, polonês e russo, além de já ter estudado um pouco de latim / Divulgação

Douglas Luca tem 16 anos e cursa o 2º ano do ensino médio na Escola Estadual Coração de Maria, em Campo Grande. À tarde, nada de videogame ou bate-papo no celular. O estudante vai, quatro vezes por semana, para o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), onde recebe atendimento educacional especializado e desenvolve atividades de língua portuguesa, física e matemática, além de jogar xadrez e estudar sua grande paixão: línguas. Aos 16 anos, ele pratica inglês, português, alemão, polonês e russo, além de já ter estudado um pouco de latim.

Com todas as atividades diárias, Douglas ainda encontrou tempo, durante as madrugadas, para criar uma língua própria, o kinyi, projeto que pretende levar a sério na carreira acadêmica. “Eu queria ser engenheiro, mas com meu interesse por linguagem eu decidi fazer Filologia, para estudar desde a confecção de uma língua até como ela vai se desenvolvendo e se adaptando”, contou o estudante.
Hoje, o garoto fala com naturalidade sobre suas habilidades, mas nem sempre foi assim. Quando criança, ficou desanimado com a escola e tinha dificuldade de relacionamento por não ter afinidade com os colegas. “No 5º ano do ensino fundamental ele não quis mais ir para a escola, porque ele sabia além e se sentia desmotivado, até doente ele ficava. Os assuntos dele não interessavam para os colegas e vice-versa”, explicou Eliane Luca, mãe do Douglas.

O NAAH/S entrou na vida da família há quatro anos e, depois de um período de acompanhamento na escola, Douglas começou a frequentar o Núcleo. “Quando ele veio para cá, aprendeu a se relacionar com as pessoas e a lidar com esse dom”, afirmou Eliane. Tudo mudou, principalmente a convivência com as pessoas, até em casa. Tem sido muito bom para a gente”, acrescentou.

O estudante que é superdotado apresenta um conjunto de três características básicas: habilidade acima da média, mesmo que em uma área específica; criatividade na solução de problemas; e envolvimento muito grande com sua área de interesse. “Quando essas três características se manifestam, temos um quadro de altas habilidades/Superdotação”, destacou a professora Brenda Cavalcante Vieira.

Atualmente, são 87 estudantes matriculados, entre 6 e 16 anos, que frequentam o NAAH/S no contraturno das aulas, até quatro vezes por semana. De acordo com o interesse do estudante, o professor elabora o planejamento, individualizado, com conteúdo que pode ser, entre outras áreas, de Ciências, Física, Matemática, Arte, Música, Arte, Música, Xadrez ou Língua Portuguesa”, afirmou a coordenadora do NAAH/S e presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação, Graziela Jara.